Evandro Junior aponta a falta de solução definitiva para o lixo urbano como maior equívoco de Silvio Barros
Evandro Junior, eleito vereador de Maringá em 2008 pelo PSDB com 3.220 votos, nascido numa família de políticos ele diz defender uma maior participação dos jovens na vida pública como forma de precipitar transformações urgentes e inadiáveis para a construção de um país mais justo em seus aspectos mais diversos.
Em entrevista ao M24, o vereador comenta que “a falta de solução definitiva para o lixo urbano, apesar do esforço feito nesse sentido, talvez seja o maior equívoco dessa administração [Silvio Barros]. Aliás, não houve o enfrentamento adequado, pelo menos por enquanto, o passivo ambiental, como a recuperação de mananciais e a preservação dos fundos de vale.”
Ainda sobre o Prefeito Silvio Barros o vereador disse crer “que o maior acerto do prefeito foi a intervenção na mobilidade urbana, adotando medidas ousadas para melhorar a fluidez no trânsito, como o sistema binário.”
Qual sua opinião sobre o projeto Ficha Limpa aprovado pelo Senado?
O projeto representa um importante avanço democrático – e em que pese um ou outro aspecto mais polêmico, como o tempo de um verbo e a entrada ou não em vigor este ano, a iniciativa revela maturidade do parlamento e esforço para proporcionar respeitabilidade à atividade política. De qualquer forma, creio que ainda temos muito que avançar no sentido de tornar o exercício de um cargo público numa missão amparada na mais absoluta transparência.
O vereador não tem o poder de prometer, pois são legisladores e fiscais, não são executores. Por que então alguns fazem tantas promessas?
Creio que a promessa é um instrumento de campanha, um recurso lícito para candidatos a cargos nas esferas legislativa e executiva. Mas é necessário distinguir a promessa do compromisso. Quando um político se excede no discurso, evocando fórmulas milagrosas para resolver problemas complexos, é preciso suspeitar dele. Então, o eleitor deve estar atento às promessas que na verdade se comprometem com ações específicas em áreas de interesse comum, como saúde, educação, segurança, moradia, emprego… Nesse contexto, a promessa deve ser vista sempre com desconfiança. Mas há limites legais e obstáculos quase instransponíveis no cumprimento de alguns compromissos. Enquanto legisladores comprometidos, muitas vezes esbarramos em situações que não conseguimos transpor para atender as expectativas. Contudo, creio que exatamente isso nos diferencia: o esforço e a determinação para cumprir nossa missão conferida pelo voto.
Qual o maior erro e acerto do governo Sílvio Barros?
O julgamento de um gestor público é sempre passional ou ideológico. Assim sendo, é preciso muita cautela para não se cometer o erro de escorregar para um lado ou outro e incorrer no equívoco de não ser justo – e justiça nesse caso é ser honesto como parlamentar e cidadão. Creio que o maior acerto do prefeito foi a intervenção na mobilidade urbana, adotando medidas ousadas para melhorar a fluidez no trânsito, como o sistema binário. Mas é importante nesse aspecto destacar um ponto negativo: o Contorno Sul. Em toda sua extensão, a via é problemática e os poucos investimentos feitos ali foram paliativos, sem de fato resolver o problema, como a precariedade do piso, a falta de sinalização e iluminação exatamente nos locais usados por moradores para transpor a rodovia. A falta de solução definitiva para o lixo urbano, apesar do esforço feito nesse sentido, talvez seja o maior equívoco dessa administração. Aliás, não houve o enfrentamento adequado, pelo menos por enquanto, o passivo ambiental, como a recuperação de mananciais e a preservação dos fundos de vale.
O senhor já pensou em se candidatar a prefeito de Maringá?
Creio que qualquer maringaense, político ou não, já tenha pensado em administrar a cidade. Sempre nos ocorre que isso ou aquilo poderíamos fazer melhor – ou diferente. Mas não é fácil ser um gestor público e, no meu caso, ainda sou um jovem no cumprimento de meu primeiro mandato político e seria inadequado e precoce por demais assumir qualquer pretensão nesse sentido agora. Primeiro, tenho que construir uma trajetória, ser cada vez mais reconhecido pelo meu trabalho político a serviço da comunidade e, quem sabe, daqui alguns anos possa responder a essa pergunta de forma mais objetiva, amparado no julgamento popular. Afinal, minhas pretensões políticas dependem de como sou avaliado – e trabalho muito para ser reconhecido como um parlamentar que de fato cumpre seu mandato com alegria, vocação e muita dedicação.
Qual o limite para uma aliança partidária?
Se dissesse que o arco de alianças de um partido alcança o limite de suas afinidades ideológicas, estaria contrariando o histórico de várias eleições, cujos acordos desafiaram essa lógica. Nos últimos anos, os partidos, sujeitos às muitas transformações e demandas da sociedade, se redesenharam, sem perder de vista seus compromissos originais. Tome-se o exemplo do PSDB, partido ao qual pertenço. Entre as muitas normativas que orientam a social-democracia, está o conceito bem objetivo do Estado e da iniciativa privada, ou seja, não se aceita um controle estatal total, nem tudo deve ser privado. É preciso um equilíbrio. Na prática, creio ser aceitável qualquer aliança em que exista afinidade programática e algum ponto de contato ideológico entre os partidos, sempre tendo em vista o fortalecimento da democracia e das instituições como âncoras do desenvolvimento em todas as áreas.
Qual o projeto mais absurdo o senhor já viu como vereador?
Seria injusto apontar esse ou aquele projeto como absurdo. Até por que o conceito de ‘absurdo’ é relativo – o que para uma pessoa é algo inaceitável, para outra é essencial. Na atividade política é preciso ponderar, ter uma visão equilibrada das proposições e votar de acordo com o interesse comum, do cidadão. O absurdo de uma proposição, seja ela um projeto de lei ou um requerimento, se esgota diante de uma análise mais acurada de seu conteúdo ou de uma explicação de seu autor.
Evandro Junior tem orkut, blog, site, twitter e outras redes de relacionamento na Internet, o senhor se considera o vereador mais popular entre os jovens? E qual a importância dessa aproximação com a população?
Sou um jovem do meu tempo, da geração que cresce na velocidade da luz, usufruindo dos benefícios da internet e dos muitos recursos proporcionados pela rede. Nada mais que isso. Tenho procurado desenvolver um trabalho produtivo e eficiente como legislador, atuando não apenas em defesa das causas da juventude, mas de todas as faixas etárias. Seria injusto não reconhecer que a internet tem facilitado a divulgação do meu trabalho, mas quero ser popular entre jovens não pela forma como uso os recursos da rede, mas sim pela minha atuação parlamentar. Sobre minha proximidade com o cidadão, essa é uma questão prioritária em meu mandato. Sempre atuei de forma transparente, valorizando o contato direto com a comunidade, ouvindo suas queixas e reivindicações. Não creio existir outra forma de exercitar um mandato popular. Bom exemplo disso é o projeto Gabinete Itinerante. Por meio dessa iniciativa, levamos nosso trabalho para perto da comunidade, instalando nosso gabinete pelo menos duas vezes por semana em pontos estratégicos da cidade para ouvir o cidadão, suas queixas e reivindicações.
A República Federativa do Brasil, conforme dispõe a Carta Magna, é um Estado Laico, o que equivale dizer que não haverá culto religioso de caráter oficial. Por que as sessões da Câmara sempre começam com a leitura de um trecho bíblico? E por que um crucifixo no plenário?
A neutralidade do Estado em relação à prática religiosa, o que caracteriza o laicismo, é uma das virtudes importantes da federação, perenizada pela Constituição. Mas não se deve fazer confusão entre um Estado laico e um Estado ateu, o que com freqüência ocorre. Portanto, a leitura de um texto bíblico no início das sessões tem caráter didático, considerando que o livro sagrado serve a todas as religiões e o crucifixo é o símbolo do cristianismo. Ainda que adotado como ícone pela Igreja Católica, é uma referência de um evento histórico surpreendente e divino, em torno do qual se unem os homens de fé.
Desde 1977, o Brasil é o único país em todo o mundo que paga salário a vereador em todas as suas cidades. Mundo afora, isso só ocorre em grandes metrópoles como Nova Iorque e Londres. Qual sua opinião sobre isso?
Creio que a questão não deve se resumir ao pagamento ou não de salário ao legislador municipal – e a comparação é inadequada, considerando modelo político adotado entre os países, Estados Unidos em particular para contextualizar a citação a Nova Iorque. O debate deve se concentrar na dedicação do parlamentar, à forma como atua, exercita seu mandato… Trata-se de uma atividade em tempo integral quando se leva a sério o cargo. Não resta ao legislador outra forma de rendimento, de sobrevivência. Então, é lícito que receba pela atividade. Tenho dúvidas se o trabalho voluntário, no nível de exigência do parlamento, funcionaria no país. Decididamente, no modelo que temos atualmente, não funcionaria. Agora é lícito discutir excessos e como vereador, atuei de forma decisiva na redução de cargos na Câmara que, por extensão, reduziu os custos do Legislativo. Ano passado, por exemplo, a Câmara devolveu quase R$ 4 milhões ao Executivo, fruto de uma economia proporcionada pela casa com o corte de gastos.
O que o senhor acha do aborto, camisinha, sexo antes do casamento, pesquisa com células-tronco, pena de morte e homossexualidade?
Aborto é uma questão delicada e séria e precisa ser tratada com muita objetividade. Pesquisa recente mostrou que de cada grupo de 100 brasileiras, 15 já fizeram aborto. Portanto, é um problema grave, pois em muitos casos, ao se tirar a vida do feto, a mulher perde a sua em clínicas clandestinas. Mas é importante frisar que sou contra o aborto e cada caso merece reflexão. Em princípio, defendo a legislação atual, que autoriza a interrupção da gravidez em casos de estupro e quando oferece risco de vida à gestante. Camisinha sempre, pois é o único recurso para prevenir doenças graves, entre elas as sexualmente transmissíveis. Sexo, antes ou depois do casamento, é intrínseco às relações humanas e debater o assunto é evocar argumentos religiosos, um campo movediço em que prevalecem visões muito particulares. Sou árduo defensor das pesquisas com celular-tronco, ainda que o tema suscite aspectos éticos não totalmente superados. Sou contra a pena de morte, pois o recurso não é a solução para a criminalidade, e sim a educação, o trabalho, a distribuição de renda, o fim da miséria… Não cabe discussão sobre a opção sexual de cada um. Seja homo ou hetero, todos tem o livre arbítrio sobre seu corpo e devem ser respeitados por isso.